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Este estudo científico, financiado pela JNICT foi iniciado em 1994 e concluído em 1998. A pesquisa pretende compreender a realidade do trabalho industrial com o olhar da Antropologia. Combinando metodologias de pesquisa antropológica e sociológica, como a observação participante e a técnica do questionário, o autor procura identificar o lugar que ocupam os factores sociais e, principalmente, a hierarquia na construção das percepções e comportamentos dos trabalhadores face ao risco no meio do trabalho industrial de uma refinaria de petróleo.
O autor começa por caracterizar o universo da pesquisa, retratando a história da empresa, o universo dos seus trabalhadores e o sistema técnico de refinação, temas que absorvem três capítulos correspondentes a cerca de metade da obra.
O capítulo IV debruça-se sobre as relações entre tecnologia, condições do trabalho e estratégia dos grupos profissionais, abrindo caminho para a dimensão nobre da investigação que se concentra no capítulo V, integralmente dedicado à análise das percepções e comportamentos dos trabalhadores face ao risco. Neste âmbito são estabelecidas e analisadas várias correlações entre variáveis como, por exemplo, trajectórias pessoais, satisfação, poder e percepção do risco, completando a abordagem com uma análise multivariada intra e inter-
dimensões, apoiada em inúmeros gráficos.
O estudo conclui que a percepção do risco depende do itinerário pessoal de cada um: idade, habilitações, antiguidade na empresa, lugar na organização, na equipa e na hierarquia, inserção social e estado de satisfação relativamente ao trabalho e às hierarquias. Os percursos individuais, os lugares ocupados e a satisfação com o trabalho parecem ser as dimensões explicativas das diferentes percepções e atitudes face ao risco. O autor termina o seu trabalho com uma reflexão sobre a necessidade de aprofundamento de uma cultura de segurança nas nossas empresas. |